terça-feira, 5 de agosto de 2014

VELHOS CONVERSANDO NO BAR

Post de Berto Filho

Bem que tentei fugir à tentação de expor essa piada nesta vitrine mas a voz da experiencia falou mais alto. Tentei me colocar no lugar deles e sorver o ridiculo.

A maquina em que digito resolveu fazer greve de acentos agudos. Ponha o acento onde não tem. Obrigado.






Dois amigos estão no bar, quando um deles fala:
- Está vendo aqueles dois velhos bebendo na outra mesa ?
- Estou, por quê ?
- Em uns vinte anos estaremos assim.
O outro olhou e disse:
- Cara, é melhor você parar de beber. Aquilo é um espelho, p....!

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O CONGRESSO É PALCO DE UMA PEÇA INDECENTE

Post de Berto Filho

Pego carona na matéria que transcrevo abaixo, publicada no portal da Veja, para dizer umas palavrinhas. Depois do mensalão, acreditava-se que o PT havia se recolhido aos seus aposentos e que passaria a se dedicar à procura de uma nova embalagem para a exibir na campanha presidencial, limpinha, cheirosinha. Eis que de repente o PT irrompe qual impávido colosso, como um jorro de petróleo do pre-sal, do seu leito pantanoso e se dedica à produção da trama para transformar o Congresso no palco de uma farsa teatral grotesca para enganar os trouxas da sociedade brasileira. Ex-diretores da Petrobras iriam ser sabatinados pelos senadores da CPI Mista que investigaria transações indecentes realizadas por ou com as participações decisivas dos mesmos, com o dinheiro da companhia. Para tornar a tarefa menos estressante e blindada contra contradições, os armadores da peça (pelo menos 1 ou 2) escreveram a maioria das perguntas que os convocados responderiam durante as "inquirições". As perguntas e as respostas foram entregues aos ilustres depoentes com a antecedência necessária para que eles se submetessem a sessões de midia training, uma forma de acostumar porta-vozes de empresas com ambientes hostis onde serão alvo de rajadas de acusações, cobranças, pedidos de explicação, etc. Assim, suas respostas brilhantes deveriam passar a impressão de que nada havia nem houve de malfeito. O tiro saiu pela culatra. Ficara visível a olho nu que a CPI foi criada com o objetivo de não pegar os corruptos.

Para encurtar o relato mais circunstanciado na matéria da Veja, eu diria que essa palhaçada pode terminar mal para o PT pois não há como dissociá-lo dessa mega falcatrua. Esses maus atores "colaram" e levaram bomba na prova.
 

VEJA

CongressoOposição vai ao MP contra senadores e dirigentes da Petrobras por fraude na CPI

Para o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), há indícios de que os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e José Pimentel (PT-CE) praticaram os crimes de advocacia administrativa, falso testemunho e violação de sigilo funcional



Laryssa Borges e Marcela Mattos, de Brasília

TEATRO: Parecia uma encenação — e era mesmo. As perguntas que seriam feitas pelos parlamentares ao ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli foram enviadas a ele antes do depoimento por José Eduardo Barrocas, chefe do escritório da estatal em Brasília, que aparece no detalhe da foto (Geraldo Magela/Ag. Senado)


O PSDB e o DEM anunciaram nesta segunda-feira que vão recorrer à Procuradoria-Geral da República para que investigue os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e José Pimentel (PT-CE) por participação na farsa montada pelo governo e pelo PT na CPI da Petrobras no Senado.
Reportagem de VEJA desta semana revela que governistas engendraram esquema para treinar os principais depoentes à comissão de inquérito, repassando a eles previamente as perguntas que seriam feitas pelos senadores e indicando as respostas que deveriam ser dadas. De acordo com o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), há indícios de que os dois parlamentares praticaram os crimes de advocacia administrativa, falso testemunho e violação de sigilo funcional. Os dois senadores serão alvo também de representação no Conselho de Ética por quebra de decoro nesta terça-feira.Para a oposição, o teatro encenado na CPI exige que seja aberta investigação para que se apure também se os parlamentares e servidores do Senado e do governo praticaram crime de improbidade administrativa por violação do dever de honestidade e de lealdade para com a administração. A oposição já começou a colher informações sobre o advogado Leonan Calderaro Filho, chefe do departamento jurídico da Petrobras, que, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, é o terceiro personagem do vídeo que revela a extensão da fraude.

Obtida por VEJA, a gravação, exibida em parte na edição do Jornal Nacional de sábado 2 de agosto, mostra uma reunião entre o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, o advogado da empresa Bruno Ferreira e Calderaro Filho para tramar a fraude no Congresso. Barrocas
revela no vídeo que um gabarito foi distribuído aos depoentes mais importantes para que não entrassem em contradição. Paulo Argenta, assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais, Marcos Rogério de Souza, assessor da liderança do governo no Senado, e Carlos Hetzel, secretário parlamentar do PT na Casa, são citados como autores das perguntas que acabariam sendo apresentadas ao ex-diretor Nestor Cerveró, apontado como o autor do “parecer falho” que levou a estatal do petróleo a aprovar a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, um negócio que impôs prejuízo de pelo menos 792 milhões de dólares à empresa.

Segundo conta Barrocas, Delcídio Amaral (PT-MS), ex-presidente da CPI dos Correios, encarregou-se da aproximação com Cerveró. Relator da comissão, José Pimentel (PT-CE), a quem respondem Marcos Rogério e Carlos Hetzel, formulou 138 das 157 perguntas feitas a Cerveró na CPI e cuidou para que o gabarito chegasse ao ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli.

“Altos funcionários da Petrobras foram gravados em um conluio para fraudar a CPI do Senado e se referem inclusive a funcionários do governo. Esse fato deixa claro que o governo tem pavor da verdade em relação às falcatruas que foram cometidas na Petrobras nos governos Lula e Dilma. Eu não sei mais o que essa CPI vai fazer. As denúncias são tão graves que qualquer decisão a que se chegue será motivo de suspensão. O mais correto seria suspender o trabalho da CPI até esses fatos serem apurados”, afirmou o líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes (PSDB-SP). Nesta segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff, em agenda disfarçada de campanha, desdenhou das medidas anunciadas pela oposição e
tentou se descolar das acusações.

“Fica claro que houve um combinado para desmoralizar o Congresso Nacional e blindar a presidente Dilma. Houve um adestramento de ponto de vista, para que os três depoentes ficassem bem e a presidente fosse liberada da responsabilidade”, disse o senador José Agripino (DEM-RN).

Entre as medidas anunciadas pelos partidos de oposição também estão representações contra o ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, contra a atual presidente, Graça Foster, contra os servidores Paulo Argenta, Marcos Rogério de Souza e Carlos Hetzel e contra o ex-diretor da estatal Nestor Cerveró, além de recursos para que órgãos disciplinares da Secretaria de Relações Institucionais, da Petrobrás e do Senado apurem a responsabilidade dos servidores públicos na farsa da Petrobras.

Da tribuna, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) cobrou do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a “profunda apuração” da farsa da CPI. “Esse fato é da maior gravidade porque acaba com o equilíbrio dos poderes e desmoraliza o Congresso Nacional, porque o Congresso abre mão de uma de suas principais prerrogativas, a de fiscalizar o Poder Executivo. Isso exige por parte da Mesa do Senado uma profunda apuração, e não uma apuração nos moldes da encenação que parece ter sido feita na CPI”, disse.

Também nesta segunda, o DEM protocolou requerimento na Comissão de Fiscalização e Controle e no plenário da Câmara pedindo a convocação do ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, além de convite ao assessor especial do órgão, Paulo Argenta, e de funcionários do Senado que também atuaram na fraude. Para que a ida de Berzoini seja obrigatória, o documento ainda precisa ser aprovado. No caso dos assessores, como foi um convite, eles podem se recusar a prestar depoimento.

OS PÁSSAROS DO PARAÍSO

Post de Berto Filho

Me perdoe bancar o metido a besta e digitar em inglês.
Os pássaros do paraíso que você vai ver no link abaixo parece que não pertencam e este mundo.

It's hard to believe this kind of beauty still exists anywhere. Watch and enjoy.
Be sure to click on the icon to expand the video to full screen.
https://www.youtube.com/embed/REP4S0uqEOc

domingo, 3 de agosto de 2014

O COMEÇO DO CINEMA

Post de Berto Filho

Contribuição de Sylvio do Amaral Rocha, que fui buscar no site do jornalista Augusto Nunes, no portal da - quVeja. 


IMAGENS EM MOVIMENTO : O COMEÇO



SYLVIO DO AMARAL ROCHA

Quanto mais se caminha em direção ao passado para tentar aprisionar da história do cinema o seu nascimento, mais se é levado a tempos remotos. Em Pré-cinemas & pós-cinemas, o professor Arlindo Machado escreveu: “Qualquer marco cronológico que possa eleger como inaugural será sempre arbitrário, pois o desejo e a procura do cinema são tão velhos quanto a civilização de que somos filhos”.

Com esta frase Machado explica que o cinema sempre existiu, que a vontade do homem de contar histórias com imagens sempre esteve presente e que limitar o nascimento dessa arte, desse desejo, à criação de um aparato tecnológico é simplificá-lo. Mas, como as datas são importantes para a história oficial, convencionou-se usar 1895 como o ano da sua criação. Foi quando aconteceu, no Grand Café de Paris, a primeira exibição comercial do cinema tal qual o conhecemos hoje.

Os irmãos Lumière exibiram cerca de 10 filmes curtos que mostravam como funcionava o cinematógrafo (máquina capaz de filmar e projetar) e como o mundo era observado através dele. Foi como se todas as intenções e invenções até aquele momento se fundissem num só equipamento. Obviamente neste começo não se vislumbrava a capacidade que ele atingiria, muito menos que se tornaria um dos grandes responsáveis por expandir os sentidos humanos e criar costumes e modismos durante gerações.

Nos filmes, bastante rudimentares, as pessoas paravam para olhar a câmera do mesmo modo que fazem hoje. Na saída de um barco, o último passageiro, um fotógrafo, acena como se estivesse cumprimentando um companheiro de profissão, sem imaginar que seu gesto seria imortalizado em movimento – como os demais, certamente deve ter suposto que estava sendo fotografado.

Para demonstrar as qualidades técnicas do aparato, a imagem da queda de um muro foi exibida de trás para frente, criando uma atmosfera lúdica. Ao fazer o filme correr do fim para o início e exibir o muro que acabara de cair sendo magicamente reconstruído, os irmãos Lumière também inauguraram o mundo fantástico no cinema. Com uma simples manipulação do tempo, aconteceu algo invisível a olho nu.

Foram maravilhas como estas que encantaram e deixaram a plateia estupefata. No caso mais notório de convulsão diante da tela – a exibição de L’arrivée d’un train en gare de La Ciotat (Chegada do trem à estação de La Ciotat) – os espectadores saíram correndo com medo que o trem invadisse a sala  (Link no final do post).

Assista a estes filmes e transporte-se para 1895. Imagine estar ao lado de alguém que se encanta com o simples fato das folhas se mexerem ao fundo em Le Repàs Du Bébé (A alimentação do bebe). Este é o começo de uma bela e mágica história. George Méliès será tema do próximo post

(Berto  remexendo no baú do Google se acha tudo. Aqui nesse link o primeiro filme da história da humanidade.)

https://www.youtube.com/watch?v=RP7OMTA4gOE

BANCO SANTANDER E O PT : BARRACO INTERNACIONAL

Post de Berto Filho

Recebi o texto de um amigo discreto. Não sei se ele é o autor, pode até não ser, mas façamos de conta que é.

Ele excursiona pelos meandros, canions e corredeiras que se interpõem entre a direção do Banco Santander e o PT, desde que a já demitida funcionaria do Banco endereçou a pouco mais de 40.000 correntistas um breve comentário sobre a relação umbilical entre o resultado das pesquisas eleitorais para a presidência da República e a piora da situação econômica, em consequência da condução equivocada e polêmica da política econômica pelo governo central e sua equipe.


Daqui para a frente é com o meu amigo oculto.

"A revanche com ares de ira marciana de Lula da Silva e Dilma Rousseff contra o Banco Santander representa o risco de se transformar em um dos maiores tiros pela culatra já dados pelos petistas desesperados com o risco concreto de perderem a reeleição. 

O banco espanhol, controlado pelos britânicos, tem a memória financeira daquilo que investidores apostam ser um dos mais graves problemas na Petrobras: as aplicações de mais de US$ 7 bilhões no fundo BB Millenium 6, que viraram pó, e podem se transformar em alvo de uma ação judicial na corte de Nova York. O pânico toma conta do PTitanic, na beira do abismo rumo às profundezas abissais.

Investidores apostam que a alta direção mundial do Santander sabe absolutamente de tudo que aconteceu na Petrobras, nas gestões Lula e Dilma. Fábio Barbosa, ex-presidente do banco no Brasil e hoje dirigente do Grupo Abril, foi membro do Conselho de Administração da Petrobras, na estranha qualidade de “representante dos acionistas minoritários”. O Santander foi o gestor do fundo Vênus – uma aplicação que também foi alvo de investigação da Comissão de Valores Mobiliários, mas acabou arquivada, como tantas outras queixas de investidores contra a falta de transparência em negócios da Petrobras.

Se a briga entre o governo e o Santander não for estancada, pode sobrar para a turma da Petrobras – segundo avaliação de vários investidores da companhia. A tendência é que vigore a tática de colocar panos quentes no conflito gerado pelo relatório que relacionava a melhora das intenções de voto em Dilma com o risco de “piora” econômica do Brasil. O sinal de paz foi dado pelo presidente mundial do Santander. Emilio Botín confirmou ontem que demitiu a responsável pelo estudo. Não citou o nome da prejudicada, em comunicado lacônico e complicado de entender: “A pessoa foi demitida porque o banco, advertido, disse que tinha que ser demitida antes”.

Mais focado ontem no encontro mundial de reitores, que vai alavancar o super empreendimento educacional do Santander, e menos preocupado com as ameaças do governo Dilma contra o banco, Emilio Botín até chegou a fazer uma média com o ex-Presidente Lula, que vociferou broncas contra o banco: “O presidente Lula é muito amigo meu, e para ele só tenho elogios”. O “amigo”Lula tinha reclamado que: “Não tem nenhum lugar do mundo em que o Santander esteja ganhando mais dinheiro do que no Brasil. Aqui ele ganha mais do que em Nova York, mais do que em Londres, do que em Pequim, Paris, Madri, Barcelona”.

O governo não deve atrapalhar o Santander em sua estratégia de ganhar dinheiro no Brasil. Caso queira dar uma de marciano contra o banco espanhol, detalhes incômodos sobre o fundo venusiano e o BB Millenuim 6 podem emergir do esgoto das profundezas abissais da impunidade."

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

BANCO SANTANDER: PIOR A EMENDA QUE O SONETO

Post de Berto Filho 

O colunista da Veja, palestrante, debatedor e inimigo figadal do PT fez um apanhado do episódio recente que envolveu o banco e o Planalto.  Vale a pena ler.



SANTANDER SE DESCULPA DE NOVO ! AGORA, O BANCO JÁ CRUZOU A LINHA DO RIDÍCULO, O QUE ME LEVA A FAZER UMA PERGUNTA

Quando teve início aquele escarcéu estúpido por causa da tal mensagem do Santander enviada a alguns correntistas — informando que os mercados reagiam negativamente à perspectiva de Dilma ser reeleita —, defendi aqui, basta procurar no arquivo, o direito que o banco tinha de emitir uma opinião. O resto da história vocês já conhecem. Lula pediu a cabeça da analista e puxou o saco do presidente mundial do banco, Emilio Botín, que prometeu demitir a responsável, o que acabou acontecendo. Antes disso, a instituição já havia tornado público um pedido de desculpas. Nesta quinta, os correntistas receberam uma segunda cartinha. Aí o Santander já se desculpava com os clientes.

Assim como não vi nada demais na primeira carta, lastimo todo o resto da história, incluindo a demissão. O Santander, com a devida vênia, comportou-se de modo patético nessa história. Por mais que esse setor seja bastante dependente dos humores dos poderosos de turno — e é —, há um limite para o ridículo que me parece ter sido ultrapassado com impressionante desassombro.

Dado o barulho que fez o PT, até compreendo que o banco pudesse emitir uma nota pública informando que não se mete em política partidária. Poderia até afirmar que a opinião da analista — ou de um departamento — não refletia o que pensava a instituição etc. Em suma, havia várias maneiras de amenizar eventuais desconfortos. Mas o que se vê é um espetáculo um tanto grotesco de sabujice. Dá a entender, talvez injustamente, que o banco mantém uma relação de dependência com o poder que não é conhecida pelo conjunto da sociedade.

Esse episódio, acreditem, fez muito mal à cultura da liberdade de política e do livre exercício da opinião. Um texto que era público — afinal, enviado a muitos correntistas — mereceu o tratamento de alguma peça conspiratória, como se pessoas mal-intencionadas atuassem nas sombras para desestabilizar a presidente Dilma.

Quer dizer que o analista de um banco está proibido de informar a seus clientes que, deixem-me ver, comprar ações de empresas públicas num eventual cenário de reeleição de Dilma é um mau negócio? E é mau negócio por quê? Não porque o tal analista não goste do PT. Mas porque ele tem a obrigação de alertar que é próprio da cultura petista usar essas empresas para fazer política, pouco se importando com a economicidade de determinadas escolhas. É o que acontece com a Petrobras, por exemplo. É o que acontece com o setor elétrico.

O comportamento da imprensa brasileira, diga-se, ressalvadas as exceções de sempre, é também lamentável. Mais uma vez, reage de maneira pífia a uma clara agressão ao debate livre de ideias.

Bem, agora falta o quê? Mais um pouco, a direção do Santander vai se chicotear de joelhos na rampa do Palácio do Planalto. Uma pergunta: se eu decidir botar meu dinheiro no Santander, devo confiar no que me disser o analista financeiro ou me cabe intuir que sua opinião passou antes pelo Departamento de Censura Diretório Nacional do PT?

PETROBRAS, CABO ELEITORAL DE DILMA

Post de Berto Filho

Fonte : Estadão


Quando enfrentam crise, as empresas cortam gastos. Já a Petrobrás caminha por outra lógica. Conforme reportagem do Estado, “os gastos com publicidade da Petrobrás aumentaram 17% no primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado, saltando de R$ 132 milhões em 2013 para R$ 154 milhões nos seis primeiros meses de 2014”. Esse aumento se deve aos gastos dos meses de maio e junho, que alcançaram a média de R$ 46 milhões, quando nos três meses anteriores a média havia sido de R$ 15,5 milhões. Simplesmente triplicou.

O aumento coincide com um dos períodos mais críticos da história da estatal. Na mesma época em que triplicou os gastos com publicidade, a Petrobrás anunciava, no dia 9 de maio de 2014, um lucro líquido no primeiro trimestre de R$ 5,393 bilhões, ou uma queda de 30% em relação ao mesmo período de 2013. O resultado era principalmente consequência de dois fatores: uma decisão de negócio - o plano de demissões voluntárias tinha gerado um impacto negativo de R$ 1,6 bilhão - e uma decisão política, não da Petrobrás, mas do governo federal - a defasagem de preços de combustíveis, para “conter” a inflação. Com essa manobra nos preços, que só favorece a candidata à reeleição presidencial - e aumenta a expectativa de inflação futura -, a estatal perdeu nos três primeiros meses de 2014 o montante de R$ 4,8 bilhões na área de abastecimento.


Com o consumo em expansão e uma queda na produção de petróleo - a Petrobrás tem, no governo Dilma, uma queda anual média de 1,5% na produção -, a estatal importa mais combustível, sofrendo com os preços administrados da gasolina e do diesel. A situação vem desde 2011, quando os preços internos se distanciaram dos internacionais.

No entanto, nada disso pareceu à diretoria da companhia suficiente para rever os gastos com publicidade. Ou melhor, reviu-os, triplicando-os. A publicidade da Petrobrás não alivia em nada sua crise. Ao contrário, só a aumenta. Com essa estranha lógica empresarial, a Petrobrás deixa claro que não está fazendo negócios. Está fazendo política eleitoral.

O aumento coincide - e tudo indica ser este o motivo o real - com a instauração de duas CPIs no Congresso para investigar suspeitas de corrupção na estatal. Num dos casos investigados - o superfaturamento e a evasão de divisas na compra da Refinaria de Pasadena -, o Tribunal de Contas da União aprovou por unanimidade um relatório que reconhece um prejuízo de US$ 792,3 milhões para a estatal em razão dessa operação. Noutro caso, onde há indícios de pagamento de propina pela empresa holandesa SBM a funcionários da Petrobrás, segundo cálculos da própria estatal, a suspensão dos contratos em razão da corrupção pode fazer com que o lucro entre 2014 e 2018 da companhia brasileira se reduza em US$ 15 bilhões.

Em resumo, há motivos de sobra para que o povo brasileiro se convença de que o governo federal, ao longo dos anos em que o PT está no poder, prejudica a estatal. E era necessária muita propaganda para melhorar a imagem da estatal. Ou melhor, do governo federal, fazendo parecer que tudo anda às mil maravilhas com a empresa que já foi tantas vezes motivo de orgulho do povo brasileiro.

Como se vê, o Palácio do Planalto e a diretoria da Petrobrás mostram uma tremenda sintonia política. Quando o Planalto precisa, está lá a estatal para bancar publicidade que em nada alivia sua situação financeira, mas ajuda o governo. Essa sintonia eleitoral tem um preço amargo. Pago pela empresa, que vê sua credibilidade ser afetada semanalmente. Pago pelos acionistas da estatal, que se veem como financiadores de um jogo que não é o seu. Pago pela sociedade brasileira, que vê um governo (ou melhor, um partido) abusar da maior empresa estatal para interesses próprios, tão distantes dos reais interesses nacionais.

Talvez seja por tudo isso que as ações da Petrobrás subam sempre que Dilma cai nas pesquisas. Alguém poderia pensar que se trata de um cálculo político. Mas é a simples constatação de uma situação empresarial. A presidente Dilma faz mal à Petrobrás.